A visão é uma das principais funções do corpo humano e fundamental para diversas profissões, como a de designer, por exemplo. Mas o que aconteceria com os designers se o romance “Ensaio sobre a Lucidez” de José Saramago fosse uma realidade e de repente todas as pessoas perdessem a possibilidade de enxergar? Foi após uma dessas reflexões que buscamos novas funções para o design. Através dessa perspectiva fomos obrigados a compreender toda a comunicação dos deficientes visuais e suas dificuldades, e com os estudos constatamos que a tipografia interfere diretamente na vida de todos, inclusive dos deficientes visuais.
Atualmente a linguagem escrita utilizada pelo cegos é o Braille, um código consolidado há 200 anos, e que tem sua eficácia discutida em nossa era digital; afinal de contas, Louis Braille não imaginava em sua época que viveríamos uma dependência tecnológica tão grande. O crescimento de 41,5% na venda de celulares em 2004, vem tornando o aparelho tão popular que já é um item quase obrigatório, citando a utilização de apenas um dos “acessórios-digitais” da sociedade moderna.
Mas em que situação a tipografia se torna discriminadora na tecnologia? Hoje todas as interfaces utilizam a “tipografia” para comunicar, avisar e corresponder, mas a maioria não inclui o portador de deficiência visual; sem condições de leitura das telas, ele precisa recorrer a soluções alternativas para usufruir do objeto, nem sempre utilizando todos os recursos dos equipamentos comercializados, como por exemplo, o envio de mensagens SMS via celular.
Diante destas constatações o Braille se torna uma linguagem desatualizada, pois foge totalmente ao padrão usado e não se assemelha a nenhuma forma tecnológica e estrutural. Com essas informações em mãos, lançamos o projeto Zeta, que busca justamente unir o Braille à nova onda tecnológica, democratizando o acesso a aparelhos eletrônicos como também aproximando a linguagem usada pelos portadores de deficiência visual ao entendimento comum, diminuindo desta forma um fator importante de exclusão social.
A linguagem Zeta se propõe a dinamizar a comunicação, transformando os caracteres usuais em pontos de relevo semelhantes aos utilizados no Braille, mas de forma associativa e muito mais simples. Com uma intervenção na estrutura atual da linguagem Braille, foi possível criar uma nova combinação, gerando praticidade de leitura, sejam os leitores deficientes visuais ou não. Esta nova combinação foi toda elaborada em cima do principal meio de inserção de dados utilizado atualmente: o teclado numérico.
Uma segunda preocupação foi gerar uma linguagem completamente usual para qualquer pessoa, tornando a digitação de textos em celulares e tvs digitais mais simples e prática, fazendo do teclado numérico um grande acessório para o futuro. Esta forma de inserção de dados deverá ser uma nova porta para a era digital, abrindo precedentes inimagináveis nos meios de interatividade.
Visualizamos que a linguagem Zeta será mais rapidamente massificada se isto for feito de forma pensada e consistente. Para isso, buscamos através de uma instituição organizadora a definição do caminho a ser trilhado. A Instituição Zeta defenderá os direitos da linguagem, ao mesmo tempo em que facilitará seu uso através de ações de disseminação, capacitação de pessoas, criação de materiais pedagógico-educacionais, promoção da linguagem através dos grandes meios de comunicação, parcerias com instituições responsáveis, definição de contratos com empresas que comercializem produtos de interação via dados (tv digital, celulares, telefones, informática ou outros), buscando sempre a popularização da linguagem e o fácil acesso para os portadores de deficiência visual.
Todo este trabalho está começando através de mini-apresentações, destinadas a grupos de empresas, instituições e pessoas reconhecidas no meio da comunicação, Braille, semiótica e política, que serão pontos-chave para este sucesso. Algumas empresas e instituições já deram o seu aval ao projeto, como SEBRAE-PR, CITs, TECPAR, SOUJAVA, PUCPR e Departamento de Deficiências Especiais da Secretaria de Educação do Estado do Paraná.
Participe também. Gostaríamos de agendar com você uma destas apresentações, para que em nosso lançamento nacional em maio, tanto a linguagem como a instituição estejam completamente estruturadas, para começarmos juntos uma nova era da comunicação.
Tarcísio Bannwart (tarcisio@projetozeta.com.br) é o criador da linguagem, diretor-sócio da Instituição Zeta, Diretor-sócio do escritório pH Design: onde também atua como designer gráfico e a diretor de arte da Revista Java Magazine, graduado em Desenho Industrial Programação Visual pela PUC-PR na turma de 2003




